Entrevista com Felipe Saad, zagueiro do Guingamp
por Felipe Couto
Como foi sua passagem pelo Vitória, na qual foi tri campeão Baiano e campeão do Nordeste? Qual a importância disso para sua transferência para o Paysandu?
Foi o time que me acolheu quando eu tinha 15 anos, através do descobridor de talentos Newton Motta e do treinador José Augusto, que já foi interino do Corinthians. Tenho uma gratidão muito grande por esses dois profissionais, além do Joel Santana que me projetou ao profissional. O Paysandu foi a minha oportunidade de continuar jogando a primeira divisão e de conhecer uma cidade com um povo muito acolhedor.
Mesmo com o Paysandu rebaixando você foi um dos destaques da equipe. Qual o sentimento de ser rebaixado? Fale da sua passagem pela equipe Paraense.
O grupo tinha uma vida sã, os jogadores eram bastante amigos… Mas o planejamento não foi o ideal e houve muitas listas de dispensas durante a competição, o que prejudicou a performance do time. O que mais me marcou foi a presença da torcida nos jogos no Mangueirão; o Paysandu tinha uma das maiores médias do campeonato, mesmo estando nas ultimas posicões.
Sua passagem pelo Botafogo foi rápida e com poucos jogos, mas o que isso ajudou na sua carreira?
Foi a minha primeira experiência num time grande tradicional brasileiro, o que foi bom para o reconhecimento. Foi um pouco frustrante a parte esportiva, pois tinha um relacionamento excelente no clube e todos acreditavam muito no neu potencial. Porém quando surgiu a oportunidade de uma sequência de jogos como titular e com um certo destaque, fraturei a mão e fiquei um mês e meio parado. Como já era no final da temporada, voltei ainda a jogar alguns jogos, mas voltei de empréstimo para o Vitória. Assim mesmo guardo também uma boa lembrança do Rio de Janeiro e do clube, já que ganhei um título carioca, inclusive marcando um gol na campanha.
Como foi sua ida para a França?Adaptação no Guingamp foi difícil?(pergunta feita pelo internauta Luiz Fernando)
Foi super tranquila. Vim para uma região que se chama Bretanha, onde as pessoas são muito acolhedoras. Ainda mais quando aprende-se rápido a língua… Você passa a ser bem visto e as portas se abrem mais facilmente. A adaptação ao estilo de jogo mais defensivo e com mais contato foi um pouco mais complicada, levou cerca de seis meses.
Como foi o titulo da Copa da França, um momento histórico para sua equipe?
Foi o auge da minha carreira até o momento, mesmo porque me tornei o brasileiro que mais vestiu a camisa do Guingamp em toda a sua historia, com aproximadamente 90 jogos oficiais. O Stade de France estava lotado, com um público maior do que a final entre Brasil x França em 98. Foi um momento mágico onde tudo deu certo para a nossa equipe e os gols do outro brasileiro, Eduardo, nos deram uma alegria muito grande e um título inédito para o clube.
Fale um pouco dessa temporada do Guingamp?
Foi a temporada onde mais joguei na minha carreira, perdi apenas 5 jogos. Fizemos ainda dois jogos pela Europa League contra o Hamburgo. Foram experiências inesquecíveis.
Quais as pretensões do Guingamp para a temporada 2010-2011?
O time continua com muita ambição e pretende subir de divisão. O presidente do clube pretende manter a base dos últimos anos, com jogadores experientes mesclados com jovens valores de uma das melhores divisões de base do país.
Tem contrato de quanto tempo com a equipe Francesa?
Até julho de 2011.
Nesses sete anos de carreira, qual foi o melhor treinador e jogador com quem atuou?
Destacaria Joel Santana, Oswaldo de Oliveira (com o Waldemar Lemos, seu irmão, como auxiliar) e o Hélio dos Anjos. Como jogador, admiro o Dodô com quem joguei no Botafogo, jogador muito inteligente e fiz uma boa zaga com Adaílton (ex-Santos) e Alex Silva (ex-São Paulo).
A Copa do Mundo esta em uma fase decisiva, qual seu favorito? A imprensa Francesa criticou muito a seleção após a eliminação?
Meu favorito é a Alemanha, mas agora é facil falar… A seleção francesa foi crucificada aqui, sobrou pra todo mundo, mas principalmente pro treinador Raymond Domenech e pra alguns jogadores chaves como Evra, Anelka ou Gallas. Eles pretendem fazer uma reformulção geral no futebol francês, em todos os níveis; é esperar pra ver.
Pensa em voltar quando ao futebol Brasileiro e quais seus objetivos futuros na carreira?
Não penso em voltar tão cedo para jogar no Brasil, talvez depois dos 32 anos… Meus objetivos são jogar um campeonato verdadeiramente forte como o inglês e gostaria de jogar a Champions League.
Você é formado em Relações Públicas. Por ser graduado em Comunicação Social, você fica revoltado com certos comentários jornalísticos? Por também ser comunicólogo, como é a relação com a imprensa? (Pergunta do Internauta Nyelder Rodrigues)
Revoltado não seria a palavra correta. Tento entender o lado do jornalista, mesmo porque tenho uma irmã jornalista. Mas sei também que é uma atividade privilegiada no universo futebolístico, visto que trata-se de um poder muito grande e uma exposição desmesurada com pouco poder de resposta por parte do atleta, com direito à invasão da vida privada do jogador em questão. Resumindo, é muita coisa. A minha relação com a imprensa é boa; é uma relação necessária na nossa profissão e isso não me incomoda de jeito nenhum. Possuo dois canais diretos de comunicação, o Twitter (@fsaad04) e o site oficial www.felipesaad.com , atualizado em três linguas: inglês , francês e português.
Fonte: Videoblog Dividida